Capítulo 11 O POÇO QUÂNTICO DUPLO: 1-ELÉTRON, 2-POÇOS

11.1 Introdução

O artigo 2-Massas, 2-Poços; 2-Massas, 1-Poço; 2-Elétrons, 2-Poços; 2-Elétrons, 1-Poço analisa 4 situações de 2-partículas confinadas em poços quânticos.

Este capítulo analisa a situação de 1-elétron confinado em 2-poços quânticos. Na literatura, o sistema é conhecido como Double Quantum Well (DQW) — Poço Quântico Duplo. A estrutura é formada por 2-poços separados por 1-barreira delgada, o que permite o tunelamento do elétron através da barreira (Tetsuya Tada and al. 1988). Isso significa que há probabilidade do elétron ser encontrado no primeiro e também no segundo poço do DQW.

Um método – para se determinar a energia de confinamento e a função de onda de um DQW – é o método numérico (A. Keshavarz 2010).

Neste capítulo – a energia de confinamento e a função de onda – serão encontradas com base em resultados de equações transcendentais (Kamizato and Matsuura 1989). A técnica consiste em cruzar equações que levam em conta condições de continuidade da função de onda nas interfaces poço/barreira — o local do cruzamento pode ser determinado por meio de um gráfico.

11.2 O perfil do potencial

O poço quântico duplo (DQW) é formado por 2-poços retangulares separados por 1-barreira central. Neste artigo, os poços serão considerados com potencial negativo, V(x)=V0, e as barreiras laterais e central, com potencial igual a zero, V(x)=0. A Fig. 11.1 mostra o perfil de potencial e a nomenclatura adotada para designar cada peça do DQW.

Perfil de potencial do poço quântico duplo e nomenclatura das peças.

Figura 11.1: Perfil de potencial do poço quântico duplo e nomenclatura das peças.

Olhando os cortes da Fig. 11.1, nota-se que (b,w) representam a largura de barreira central e largura de poço individual, respectivamente. Também, que há simetria em relação à origem das posições (x=0). Por isso, esse tipo de DQW é classificado como simétrico – é classificado como assimétrico quando os poços são diferentes, por exemplo, caso não possuam larguras ou profundidades iguais (J. Ram 2006).

11.3 As características da função de onda

O estudo se concentrará na energia de partícula menor que a altura de barreira e maior que o fundo de poço, ou seja, quando a energia do elétron estiver entre V0<E<0.

Na região dos poços, o número de onda da peça de função de onda é real:

(11.1)k=12m(E+V0),

e a solução da equação de Schrödinger resulta em exponencial complexa, do tipo e±ikx.

Na região das barreiras (central, barreira-1 e barreira-2), a combinação de potencial nulo com energia de partícula negativa produz número de onda imaginário:

(11.2)kimg=12m(E0),

sendo conveniente escrevê-lo na forma

(11.3)kimg=iq,

onde

(11.4)q=12m(0E).

Então, na região das barreiras, a solução da equação de Schrödinger resulta em exponencial real, do tipo e±qx.

Em (11.1) e (11.4), as grandezas m e representam a massa do elétron e a constante de Planck, nesta ordem.

Explorar a simetria do DQW 11.1 poupa trabalho na hora de determinar a função de onda global, que se estende de <x<, pois, é preciso se preocupar apenas com a determinação da função do lado direito do DQW, já que a função do lado esquerdo (x<0) é mais ou menos igual à função do lado direito (x>0):

(11.5)Ψ(x<0)=±Ψ(x>0).

Na linguagem matemática, quando

(11.6)Ψ(x<0)=+Ψ(x>0),

diz-se que a função é par (seu gráfico tem simetria em relação ao eixo vertical), e quando

(11.7)Ψ(x<0)=Ψ(x>0),

é dito que a função é ímpar (seu gráfico tem simetria em relação à origem).

Logo, as soluções do DQW 11.1 se dividem em 2-grupos: o conjunto de funções de onda pares e o conjunto de funções de onda ímpares.

Deve-se escolher peças de função de onda com o objetivo de simplificar a manipulação matemática. O capítulo 9 do livro Mecânica Quântica: Confinamento e Espalhamento por Potenciais Retangulares, que trata do poço quântico simples, iniciou a análise utilizando peças complexas, todavia, após alguns passos matemáticos, trasformou-se as peças complexas em peças reais (senos e cossenos). Neste artigo, vamos prontamente iniciar o estudo considerando soluções reais.

Qual solução poderá compor as peças dos poços?

Há propagação de ondas dentro dos poços, ondas que incidem e refletem na interface poço/barreira, então, poderia-se operar com uma combinação de exponenciais complexas, todavia, é mais conveniente usar uma combinação de seno e cosseno.

Qual solução poderá compor a peça da barreira central?

Não há propagação de ondas na barreira central, a solução é a soma de duas exponenciais reais: as que fariam a vez da “onda incidente” e da “onda refletida” – aqui cabe lembrar que a combinação de exponenciais reais resulta em cosseno hiperbólico ou seno hiperbólico.

Qual solução poderá compor as peças das barreiras laterais?

Também não há propagação de ondas nas barreiras laterais, a solução poderia ser do mesmo tipo da barreira central, a soma de duas exponenciais reais, todavia, as barreiras laterais se estendem até o infinito, por isso, a única exponencial que deve permanecer na solução, é aquela que tende a zero no infinito.

11.4 A equação da energia

Esta seção apresenta o procedimento que leva à equação capaz de fornecer os valores da energia de confinamento do elétron, uma equação cujas raizes podem ser determinadas com auxílio gráfico, denominada equação transcendental.

A notação que é utilizada para descrever as peças da função de onda global, está impressa na Fig. 11.1.

As ponderações feitas na seção [11.3] nos leva a concentrar o trabalho ao redor do poço-2.

Com o intuito de utilizar o padrão Latex, será utilizado sin para seno, cos para cosseno, tan para tangente, exp para exponencial, cosh para cosseno hiperbólico e sinh para seno hiperbólico.

A função de onda dentro do poço-2 é escrita como combinação de seno e cosseno:

(11.8)P2(x)=Pcos[kx]+Qsin[kx],

onde P e Q são amplitudes e k é o número de onda (11.1).

A função de onda dentro da barreira-2 tem a forma de uma exponencial que decai em função do número de onda (11.4):

(11.9)B2(x)=Dexp[qx].

A função de onda deve ser contínua na interface poço/barreira, para isso, iguala-se (11.8) com (11.9) no ponto x=b/2+w:

(11.10)Pcos[k(b/2+w)]+Qsin[k(b/2+w)]=Dexp[q(b/2+w)].

A derivada da função de onda também deve ser contínua na interface poço/barreira, para isso, deriva-se as Eqs. (11.8) e (11.9)

(11.11)P2(x)=kPsin[kx]+kQcos[kx],(11.12)B2(x)=qDexp[qx],

e, depois, iguala-se os resultados das derivadas no ponto x=b/2+w:

(11.13)Psin[k(b/2+w)]+Qcos[k(b/2+w)]=qkDexp[q(b/2+w)].

Divide-se a Eq. (11.13) pela Eq. (11.10):

(11.14)Psin[k(b/2+w)]+Qcos[k(b/2+w)]Pcos[k(b/2+w)]+Qsin[k(b/2+w)]=qk.

Manipula-se a Eq. (11.14) até chegar no agrupamento dos senos e os cossenos:

(11.15)Qsin[k(b/2+w)][1kqPQ]=Pcos[k(b/2+w)][1+kqQP].

Encerra-se a dedução utilizando a definição de tangente:

(11.16)tan[k(b/2+w)]=(P/Q)[1+(k/q)(Q/P)][1(k/q)(P/Q)].

Que informação se torna pública por meio da equação transcendental (11.16)?

Disparando o gráfico da Eq. (11.16), a energia de confinamento é determinada fixando atenção no cruzamento que a curva tangente faz com a curva da expressão do lado direito.

Das variáveis da Eq. (11.16), ainda resta saber a expressão de P/Q. Conforme discutido na seção [11.3], há uma expressão vinculada ao conjunto de funções de onda pares e outra vinculada ao conjunto de funções de onda ímpares.

11.5 P/Q (função par)

Esta seção determina a expressão de P/Q, vinculada à função de onda par. Para isso, analisa a continuidade da função de onda na interface poço-2/barreira-central: ponto x=b/2.

A função de onda dentro da barreira-central é descrita por um cosseno hiperbólico, já que cossenos hiperbólicos são funções pares:

(11.17)Bc(x)=Bcosh[qx].

A derivada do cosseno hiperbólico resulta em seno hiperbólico

(11.18)Bc(x)=qBsinh[qx].

A função de onda deve ser contínua na interface poço/barreira, para isso, iguala-se (11.8) com (11.17) no ponto x=b/2:

(11.19)Pcos[k(b/2)]+Qsin[k(b/2)]=Bcosh[q(b/2)].

A derivada da função de onda também deve ser contínua na interface poço/barreira, para isso, no ponto x=b/2, iguala-se P2(x) de (11.11) com Bc(x) de (11.18):

(11.20)Psin[k(b/2)]Qcos[k(b/2)]=qkBsinh[q(b/2)].

Multiplicação da Eq. (11.19) por cos[k(b/2)]:

(11.21)Pcos2[k(b/2)]+Qsin[k(b/2)]cos[k(b/2)]==Bcosh[q(b/2)]cos[k(b/2)].

Multiplicação da Eq. (11.20) por sin[k(b/2)]:

(11.22)Psin2[k(b/2)]Qcos[k(b/2)]sin[k(b/2)]==qkBsinh[q(b/2)]sin[k(b/2)].

Lembrando que cos2+sin2=1, soma das Eqs. (11.21) e (11.22):

(11.23)P=Bcosh[q(b/2)]cos[k(b/2)]qkBsinh[q(b/2)]sin[k(b/2)].

Agora, multiplicação da Eq. (11.19) por sin[k(b/2)], multiplicação da Eq. (11.20) por cos[k(b/2)], e soma dos resultados:

(11.24)Q=Bcosh[q(b/2)]sin[k(b/2)]+qkBsinh[q(b/2)]cos[k(b/2)].

Por fim, a divisão de (11.23) por (11.24), resulta na expressão de P/Q (função par):

(11.25)P/Q=(k/q)cosh[q(b/2)]cos[k(b/2)]sinh[q(b/2)]sin[k(b/2)](k/q)cosh[q(b/2)]sin[k(b/2)]+sinh[q(b/2)]cos[k(b/2)].

11.6 P¯/Q¯ (função ímpar)

Esta seção segue o procedimento da seção [11.5] — com algumas adaptações.

A função de onda de caráter ímpar será marcada com uma barra.

A função de onda dentro da barreira-central, agora, é ímpar, por isso, é representada por um seno hiperbólico, já que senos hiperbólicos são funções ímpares:

(11.26)B¯c(x)=B¯sinh[qx],(11.27)B¯c(x)=qB¯cosh[qx].

A função de onda dentro do poço-2 continua escrita como combinação de seno e cosseno:

(11.28)P¯2(x)=P¯cos[kx]+Q¯sin[kx],(11.29)P¯2(x)=kP¯sin[kx]+kQ¯cos[kx].

Semelhante ao que fizemos na seção anterior, é hora de aplicar as condições de continuidade no ponto x=b/2 e manipular os resultados. Com um pouco de trabalho, é fácil mostrar que P¯/Q¯ (função ímpar) tem o aspecto:

(11.30)P¯/Q¯=(k/q)sinh[q(b/2)]cos[k(b/2)]cosh[q(b/2)]sin[k(b/2)](k/q)sinh[q(b/2)]sin[k(b/2)]+cosh[q(b/2)]cos[k(b/2)].

11.7 Determinação da energia de confinamento

A determinação da energia de confinamento do elétron no poço quântico duplo, lança mão da equação transcendental desenvolvida na seção [11.4] e das expressões deduzidas nas seções [11.5] e [11.6]. Vamos, então, agrupá-las nesta seção.

Ao trabalhar com função de onda par, deve-se usar:

(11.31)tan[k(b/2+w)]=(P/Q)[1+(k/q)(Q/P)][1(k/q)(P/Q)],

(11.32)P/Q=(k/q)cosh[q(b/2)]cos[k(b/2)]sinh[q(b/2)]sin[k(b/2)](k/q)cosh[q(b/2)]sin[k(b/2)]+sinh[q(b/2)]cos[k(b/2)].

E, com função de onda ímpar:

(11.33)tan[k(b/2+w)]=(P¯/Q¯)[1+(k/q)Q¯/P¯][1(k/q)P¯/Q¯],

(11.34)P¯/Q¯=(k/q)sinh[q(b/2)]cos[k(b/2)]cosh[q(b/2)]sin[k(b/2)](k/q)sinh[q(b/2)]sin[k(b/2)]+cosh[q(b/2)]cos[k(b/2)].

O método requer varredura na energia do elétron, que é negativa, e está embutida nos números de onda:

(11.35)k=12m(E+V0),

(11.36)q=12m(0E).

Como se vê na Fig. 11.1, para fitar toda série de energia de confinamento, a varredura deve conter os valores: V0<E<0. Ao invés da inspeção ser realizada com números negativos, é preferível utilizar valores positivos. Para isso, pode-se parametrizar a energia:

(11.37)E=(η1)V0,

e fazer o parâmetro de energia percorrer os valores: 0<η<1.

11.7.1 Exemplo numérico

Vamos colocar números nas fórmulas!

Este exemplo considera um DQW de profundidade V0= 0,1 eV e estrutura 100-20-100 Å, quer dizer, de w= 100 Å e b= 20 Å. As curvas das Eqs. (11.31) e (11.33), que foram designadas curva par e curva ímpar, respectivamente, são apresentadas na Fig. 11.2.

Cruzamantos de equações transcendentais.

Figura 11.2: Cruzamantos de equações transcendentais.

Os cruzamantos das equações transcendentais revelam os seguintes parâmetros de energia (adimensionais):

(11.38)η1=0,0294    curva par,η2=0,0300    curva ı´mpar.

Os parâmetros (11.38) correspondem às seguintes energias de confinamento (meV):

(11.39)E1=97,06;E2=97,00.

O nível de energia é definido como:

(11.40)ϵ=E+V0.

Já que V0=100 meV, as energias (11.39) correspondem aos seguintes níveis de energia (meV):

(11.41)ϵ1=2,94;ϵ2=3,00.

Os resultados indicam que o nível de energia do estado fundamental se origina da solução par e que o nível de energia do primeiro estado excitado vem da solução ímpar. A diferença de energia entre os níveis de energia (11.41) é (meV):

(11.42)ϵ2ϵ1=0,06.

11.8 O efeito da espessura da barreira

A energia de confinamento é sensível em relação à espessura da barreira-central, ao valor de b. A função de onda do lado esquerdo do DQW se conecta com a do lado direito, através da barreira-central, mas, se os poços estiverem muito afastados um do outro, a função de onda perde a conexão. Nesse caso, o efeito de tunelamento passa a ser desprezível, e o DQW se comporta como 2-poços simples, individuais. Por exemplo, para o DQW da seção [11.7.1], o efeito de espessura de barreira sobre os níveis de energia é apresentado na Fig. 11.3.

Efeito de espessura de barreira. A geometria e profundidade do DQW estão na própria figura.

Figura 11.3: Efeito de espessura de barreira. A geometria e profundidade do DQW estão na própria figura.

O aumento da espessura da barreira faz os níveis do DQW (ϵ1,ϵ2) se aproximarem do patamar ϵ1 (100 Å): nível de energia do estado fundamental de um poço simples de largura 100 Å. O efeito do desacoplamento dos poços é nítido, por exemplo, quando a barreira atinge 50 Å de espessura. Nesse caso, o poço duplo (100-50-100 Å) se comporta como um poço simples (100 Å) afastado (e desacoplado) de outro poço simples (100 Å).

Por outro lado, barreiras delgadas (finas) intensificam a diferença entre os níveis do DQW, como se vê, no início da Fig. 11.3. No limite da barreira desaparecer (b0), o DQW se comporta como um poço simples de largura 2w: O nível de energia ϵ1 tende ao nível de energia do estado fundamental de um poço simples de largura 200 Å, e o nível de energia ϵ2, avizinha-se do nível de energia do primeiro estado excitado desse mesmo poço simples.

O efeito de espessura de barreira é ilustrado na Fig. 11.4

Ilustração do efeito de espessura de barreira.

Figura 11.4: Ilustração do efeito de espessura de barreira.

A Fig. 11.5 mostra que a diferença de energia entre os níveis de energia (ϵ2ϵ1) do DQW da seção [11.7.1] cai exponencialmente em função da largura da barreira.

Comportamento da diferença de energia entre níveis de energia. A geometria e profundidade do DQW estão na própria figura.

Figura 11.5: Comportamento da diferença de energia entre níveis de energia. A geometria e profundidade do DQW estão na própria figura.

11.9 A função de onda par

Distribuído pelas seções, há peças para a construção da função de onda de caráter par, que se estende de <x<. Cabe, agora, organizar essas peças.

Antes de tudo, precisamos revestir a notação com o fato da energia ser quantizada. Faremos isso, adicionando n à notação:

(11.43)kn=12m(En+V0),qn=12m(0En),

Nesta seção, o rótulo n corre entre os números ímpares: n=1,3,5,

O procedimento é bem simples: Para encontrar a função de onda do lado direto do DQW, divide-se as Eqs. (11.8), (11.9) e (11.17) pela quantidade Q:

(11.44)P2(x)/Q=(P/Q)cos[knx]+sin[knx],B2(x)/Q=(D/Q)exp[qnx],Bc(x)/Q=(B/Q)cosh[qnx],

sendo as relações de apoio:

P/Q=(kn/qn)cosh[qn(b/2)]cos[kn(b/2)]sinh[qn(b/2)]sin[kn(b/2)](kn/qn)cosh[qn(b/2)]sin[kn(b/2)]+sinh[qn(b/2)]cos[kn(b/2)],D/Q={(P/Q)cos[kn(b/2+w)]+sin[kn(b/2+w)]}exp[qn(b/2+w)],B/Q=(P/Q)cos[kn(b/2)]+sin[kn(b/2)]cosh[qn(b/2)].

Agora, o lado esquerdo é o lado negativo (x<0). Vamos chamar os negativos de x (e os positivos de x+). Então, para encontrar a função de onda do lado esquerdo do DQW, explora-se o fato deste caso de trabalho ser o caso par e, conforme (11.6), a função do lado esquerdo é igual à função do lado direito, logo:

(11.45)P1(x)/Q=P2(x+)/Q,B1(x)/Q=B2(x+)/Q,Bc(x)/Q=Bc(x+)/Q.

Por exemplo:

(11.46)B1(121)/Q=(D/Q)exp[qn121].

As peças (11.44) e (11.45) constroem a função de onda par em toda extenção do DQW. Mantendo a geometria e profundidade do DQW da seção [11.7.1], a Fig. 11.6 apresenta a função de onda do estado fundamental — nível de energia ϵ1= 2,94 meV.

Função de onda do estado fundamental. A geometria e profundidade do DQW estão na própria figura.

Figura 11.6: Função de onda do estado fundamental. A geometria e profundidade do DQW estão na própria figura.

11.10 A função de onda ímpar

Deve-se lembrar que a notação do caso ímpar é marcada com uma barra. Também, que as posições do lado esquerdo e direiro são representadas por x e x+, respectivamente.

Atenção na hora de utilizar os números de onda (11.43): Nesta seção, o rótulo n corre entre os números pares: n=2,4,6,

Do lado direto do DQW:

(11.47)P¯2(x)/Q¯=(P¯/Q¯)cos[knx]+sin[knx],B¯2(x)/Q¯=(D¯/Q¯)exp[qnx],B¯c(x)/Q¯=(B¯/Q¯)sinh[qnx].

Agora, as relações de apoio são:

P¯/Q¯=(kn/qn)sinh[qn(b/2)]cos[kn(b/2)]cosh[qn(b/2)]sin[kn(b/2)](kn/qn)sinh[qn(b/2)]sin[kn(b/2)]+cosh[qn(b/2)]cos[kn(b/2)],D¯/Q¯={(P¯/Q¯)cos[kn(b/2+w)]+sin[kn(b/2+w)]}exp[qn(b/2+w)],B¯/Q¯=(P¯/Q¯)cos[kn(b/2)]+sin[kn(b/2)]sinh[qn(b/2)].

E para encerrar, este caso de trabalho é o caso ímpar, segundo (11.7), a função do lado esquerdo é menos igual à função do lado direito:

(11.48)P¯1(x)/Q¯=P¯2(x+)/Q¯,B¯1(x)/Q¯=B¯2(x+)/Q¯,B¯c(x)/Q¯=B¯c(x+)/Q¯.

Por exemplo:

(11.49)B¯1(121)/Q¯=(D¯/Q¯)exp[qn121].

As peças (11.47) e (11.48) montam a função de onda ímpar em toda extenção do DQW. Mantendo a geometria e profundidade do DQW da seção [11.7.1], a Fig. 11.7 apresenta a função de onda do primeiro estado excitado — nível de energia ϵ2= 3,00 meV.

Função de onda do primeiro estado excitado. Ver geometria e profundidade do DQW na própria figura.

Figura 11.7: Função de onda do primeiro estado excitado. Ver geometria e profundidade do DQW na própria figura.

11.11 A função de onda normalizada

As seções [11.9] e [11.10] deixaram em aberto a quantidade Q. Pode-se dizer que as funções de onda apresentadas nas Figs. 11.6 e 11.7 não estão normalizadas.

O valor de Q é encontrado pelo processo de normalização de função de onda:

(11.50)+|Ψ(x)Q|2dx=1|Q|2.

Lembrando que Ψ(x)/Q representa uma função de onda não normalizada, a Eq. (11.50) nos leva a concluir que a área debaixo da curva da densidade de probabilidade não-normalizada é igual à quantidade 1/|Q|2.

O valor de Q está vinculado ao valor de uma área. Há vários softwares que podem calcular áreas de curvas. O método, aqui sugerido, faz uso desses softwares.

Desse modo, tomando as funções de onda das Figs. 11.6 e 11.7, as áreas de suas densidades de probabilidade possuem os valores impressos na Tabela 11.1.

Tabela 11.1: NORMALIZAÇÃO DE FUNÇÃO DE ONDA.
Função de onda Área da densidade de probabilidade (m) Valor de |Q|2 (m1)
Par 1,142×108 8,757×107
Ímpar 1,137×108 8,797×107

Os valores da Tabela 11.1 são bem parecidos, isso porque as curvas das densidades de probabilidade são quase idênticas — ver a Fig. 11.8.

Densidade de probabilidade do estado fundamental e do primeiro estado excitado. As curvas estão normalizadas. DQW: Geometria e profundidade na própria figura.

Figura 11.8: Densidade de probabilidade do estado fundamental e do primeiro estado excitado. As curvas estão normalizadas. DQW: Geometria e profundidade na própria figura.

11.12 Considerações finais

A primeira equação escrita no artigo, Eq. (11.1), estabeleceu o “público-alvo” que se queira atingir. Pode-se dizer que o “publico-alvo” é o elétron no vácuo. Isso é claro, já que a grandeza m, da Eq. (11.1), representa massa de repouso do elétron: m=9,11×1031 kg. E onde está esse elétron? Não há matéria ao seu redor. O potencial 11.1 que confina o elétron é construído no vácuo.

Então está faltando algo nesse artigo: a matéria!

Poços quânticos não são construídos no vácuo. A indústria de semicondutores investe pesado no desenvolvimento de materiais semicondutores. Faça uma pesquisa sobre o tema. O resultado vai mostrar que são feitos montantes enormes de investimentos para se alcançar uma posição de destaque na indústria de componentes eletrônicos.

O elétron dentro de um material semicondutor se comporta como uma partícula de massa reduzida. Por exemplo, a massa efetiva do elétron no GaAs é 0,067×9,11×1031 kg, ou seja, um valor 15 vezes menor que a massa do elétron no vácuo.

E como o fator massa reduzida afeta o valor da energia de confinamento?

Este será o tema do próximo capítulo, tendo como título:

Poço Quântico Duplo de Semicondutores.